Segunda-feira, Novembro 09, 2009

Jejuno

Posted in by Marcelle Rocha |
Engoli a inveja que você me doeu
Embebida em soluços de fúria
Violentei o estômago do peito
A decompor meu sorriso ao meio

Num amarelo podre entre dentes
Falsifiquei um desprezo eloquente
Entrementes cravando minhas mordidas
Como a que ele me deu enquanto distraída

Pois é, fui mordida
Abocanhada
Dilacerada
Ferida

Com um chá de reflexão acabei com a indigestão.
Terça-feira, Novembro 03, 2009

anteposto figurado

Posted in by Marcelle Rocha |
Gosto de ser a insônia de altas horas da madrugada
Gosto de ser a fera das noites enluaradas
Assombração das suas noites em claro
Mios de gatos perdidos pelos telhados
Gosto de te cortar na brisa fina
Ser o vulto nas sombras
E a sombra da neblina
Gosto de ventar suas folhas
Inventar fomes e secar pimenteiras
Gosto de te puxar pelas madeixas
Gosto de velar seu sono
Interromper seus sonhos
Com seu pé esquerdo a cair da cama
É meu nome que chama
Gosto de queimar sua voz
Gosto de tombar nós e nós.
Quinta-feira, Outubro 15, 2009

Camafeu Carmim

Posted in by Marcelle Rocha |
A água doce gosta de me banhar
Sou leal ao meu tato
Não condeno, não maltrato
O que é feito de sal

Sou de sublimar espuma do mar
Pois nasci fora de lá
No grão de areia de Saquarema
Passo a ser o canto da sereia

Num brado alto rompo o forte
Da psique da Psiquê de Freud
Que o Vento Levou
Para além das Pontes de Madison

Meu pensamento é alado
No meu corpo carrego os pássaros
Pelo ar das crianças
Em seus primeiros passos

Minha ordem é calada
Se sambo é no gênio forte
Pois sou feito raiz de gengibre
Marfim de fera nobre

No balanço do amor que amo
Choro também na música que danço
Pois inflamo como flor em botão
Mas desabrocho com rock no coração

Rancor não me deixa nó
Os que pecam sabem de cor
Se o tempo fecha, desço do morro
Pois não há salto que seja estorvo

Quando o sol raia num jasmim
Coquetel de frutas de tom carmim
Sou o batom vermelho das rosas
Do céu azul que me faz jus em prosa.