quarta-feira, novembro 26, 2008

A estrela

Arrasto-te a força
Para que acabes por ficar
Acarinho-te como pretendo
Como monstro salutar
Pelos dedos que me vendo
Destilo que não saibas mais voltar
Fite essa acolhedora alcova
A qualquer outro lugar

Nessa boca tem o batom
Que ontem foi dormir hoje
Expressionismo bege
Dentre devaneios breves

Ela, que agora me vigia
Intriga-me lá de cima
Reflito, digo e repito
Não é nada do que sinto
Sua cadência me evita
Afirmo-me e desminto
Desdenho a inveja eremita
Nos confortáveis fascínios vazios
Que morrem, me envolvem
E em seu céu perene me retêm.

4 comentários:

Paulo Tamburro disse...

Uma boca que tem um batom que "ontem foi dormir hoje" é a boca que transcende nesta invenção humana do tempo/espaço.

É uma boca que não tem idade, porque não tem passado e só passa pelo presente, por ser o único caminho de chegar-se ao futuro. É lá que ela gritará: Felicidade,cheguei!Sua obsessão!

Mars Elle disse...

Sua observação foi mais profunda do que a intenção inicial, mas cabe exatamente no contexto e na essência da minha mensagem!^^
Genial.

Ancalimon disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ancalimon disse...

Sempre há para cada um de nós uma certa Estrela que, visível ou não, nos conforta o pensamento de que esta brilhe onde quer que esteja, a nossa Estrela da Sorte...