segunda-feira, julho 06, 2009

Labirinto

Não se esconda nas minhas palavras
Pois sou madrugada ainda acordada
Cantada feita na hora errada.
Quem é bonito, quem é feio?
No fim todos sentem no peito,
No meio, no recheio, sozinho como é
Como quer ter ódio do futuro
Tão profundo, tão escuro a ir pro fundo
Do raso do medo de se afogar
Ou se molhar pelos versos de quem ama
É sede, é maltratar
È morrer de vontade
Que quero mesmo sendo tarde
Acabar na utopia de amanhecer-me
Na confiança encolhida,
Não da escolhida à presença do que se adianta,
Mas do que se encanta pela vida
Entretida a completar meus vazios
Que já estão cheios do seu cheiro.

2 comentários:

Don disse...

não ser tocado

Leandro Marcio, disse...

"Entretida a completar meus vazios
Que já estão cheios do seu cheiro."

Há uma relação arrisco a dizer direta entre os amantes e seus cheiros. É algo de animal, de bicho, que subsiste mesmo após milênios de domesticação.

Teu poema fez-me lembrar da tortura que é sentir o odor de alguém que se foi. Visitarei aqui mais vezes, habitante do Morro Guarda-chuva